Os construtores do amanhã.


    Já começo com o seguinte: Um mundo regenerado não acontecerá enquanto nós não doermos pela dor do outro. 

    Deus não nos fez diversos à toa —  a nossa diversidade é o caminho para a compreensão do outro.

    Enquanto eu, na minha posição social, consigo reconhecer o problema X da sociedade porque me dói, uma mulher negra nos seus 50 anos reconhece o problema Y, e um homem branco e heterossexual reconhece o problema Z. No diálogo entre nós, conseguimos formar um panorama mais amplo das dores da humanidade. E é por meio desse diálogo e de uma ação conjunta que poderemos construir um mundo melhor.

    Silenciar os problemas não é resolvê-los. Fingir que eles não existem, ou dizer que são “mimimi”, não vai fazê-los doer menos em quem sente a dor. Pensar que o mundo regenerado virá sem esforço é um erro — somos os construtores do amanhã.

    Dizer “sou velho demais para causar impacto” ou “não é problema meu, então não me diz respeito” é uma forma de escapismo. O problema é com a gente, e somos nós que precisamos enfrentá-lo.

    Tomar responsabilidade pelas problemáticas e rédeas de sua resolução não é ter uma fé vacilante ou duvidar da grandeza da espiritualidade — é compreender o papel que nos foi incumbido pela confiança que Deus coloca em nós.

    O novo nos assusta. Muitas vezes nos engessamos pelo medo da mudança. Mas sem o novo, não há ar fresco para respirar e nos sufocamos no velho "mais do mesmo".

    Imagine que, em uma sociedade, todos que nascem devem ter um prego inserido na mão. Pode-se adotar o pensamento de que “sempre foi assim, quem não aguenta dor do prego, é fraco e mimado”. Nesse pensamento, aquele que aponta a existência do prego e questiona o motivo de ele estar em sua mão é visto como rebelde e irresignado. Todavia, ignorar o prego e mascarar a dor não significa que o problema não exista ou que quem não o aguenta é fraco. Às vezes, quem tem um prego menor acha que a dor é tolerável e julga como fraco quem tem um prego maior e se queixa.

    Em algumas coisas da vida que não podemos mudar, o caminho é a resignação. Mas é um erro achar que não podemos mudar nada. A nossa existência, por si só, já é uma oportunidade ativa de mudança — se nos prestarmos ao papel de perceber a dor e desejar transformá-la.


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